Vazamento de estireno em Manaus: veja riscos e como agir
CIATox do HUGV-Ufam registra alta na procura por orientações após vazamento de estireno em Manaus; veja sintomas e cuidados.
Por Ponto Amazonas - Ponto Amazonas
Atualizado em 19 de julho de 2026
Manaus registra aumento na procura por orientações sobre os riscos do estireno, substância envolvida no vazamento identificado na capital nesta quarta-feira (15). O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), vinculado ao Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), unidade da Rede HU Brasil, tem registrado crescimento no número de ligações desde a ocorrência.
O estireno é uma substância química empregada na produção de plásticos e resinas. Sua inalação pode irritar as vias respiratórias e os olhos, com manifestações que variam de acordo com o tempo de exposição, a concentração do produto no ambiente e as condições de saúde de cada pessoa.
A chefe da Unidade de Farmácia Clínica do HUGV, Sangely Mendonça, responsável pelo atendimento do CIATox, explica que a maioria das chamadas recebidas pelo serviço nesta quinta-feira (16) parte de pessoas que buscam orientação para terceiros. "As pessoas ligam para saber como orientar a família, colegas de trabalho e moradores de áreas próximas. A demanda realmente está bastante alta", afirma.
Entre os sintomas mais relatados por quem procurou atendimento nas últimas horas estão o desconforto respiratório — que costuma aparecer logo após o contato com a substância — e a irritação nos olhos, no nariz e na garganta.
O que fazer diante da exposição
Segundo Sangely Mendonça, a primeira medida diante da suspeita de exposição é deixar imediatamente o local contaminado. "Ao perceber que está em uma área contaminada, a pessoa deve sair imediatamente do local e procurar um ambiente aberto e ventilado, onde não haja contato com a substância. Se estiver dentro de casa e tiver condições de ir para outro ambiente seguro, essa também é uma orientação importante", explica.
Em casos de irritação nos olhos ou na pele, recomenda-se lavar a região com água corrente em abundância. Roupas que tiveram contato com o produto devem ser retiradas assim que possível, reduzindo o tempo de exposição.
Há sinais, no entanto, que pedem avaliação médica sem demora. "Dificuldade para respirar, sensação intensa de falta de ar, desmaio e dor importante no peito são situações que requerem atendimento de urgência", alerta a especialista.
Cuidados que devem ser adotados
A automedicação para aliviar sintomas respiratórios ou outros desconfortos, sem orientação de um profissional de saúde, está entre as práticas desaconselhadas. Também não se recomenda permanecer em área contaminada na expectativa de que os sintomas passem sozinhos, já que a exposição continuada pode agravar o quadro clínico.
Quanto ao uso de máscaras, Sangely Mendonça pondera que os modelos convencionais não protegem contra gases tóxicos. "Existem equipamentos específicos utilizados em ambientes industriais, mas eles não fazem parte da rotina da população. Mesmo em ambiente hospitalar, a recomendação é utilizar equipamentos de proteção adequados quando disponíveis", salienta.
Ignorar sintomas persistentes também é um erro a evitar — nesses casos, a orientação é buscar atendimento médico o quanto antes.
Como é feito o tratamento
Quem apresentar sintomas após contato com o estireno deve procurar uma unidade de saúde ou, em situações de urgência, acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192).
Não há um antídoto específico para a substância — o tratamento acompanha as manifestações de cada paciente. "Não existe antídoto para essa substância. O tratamento é sintomático e de suporte, ou seja, depende dos sintomas apresentados pelo paciente. Se houver falta de ar ou desconforto respiratório persistente, é fundamental procurar um serviço de pronto atendimento para avaliação e, se necessário, realização de oxigenoterapia e outras medidas de suporte", enfatiza Sangely Mendonça.
A recomendação da especialista é que a população continue acompanhando as informações oficiais enquanto persistir o risco de exposição. "É importante acompanhar as notícias para verificar quais regiões podem estar sendo atingidas, porque esse produto pode se dispersar para outras áreas. Assim, as pessoas conseguem evitar permanecer em locais onde a concentração ainda seja maior", pontua.
Sobre o CIATox
O CIATox funciona 24 horas por dia, prestando atendimento à população e a profissionais de saúde em casos de intoxicação e exposição a produtos químicos, medicamentos, animais peçonhentos e outras substâncias tóxicas.
O serviço também oferece suporte técnico a médicos e demais profissionais envolvidos na condução desses casos. "Orientamos tanto a comunidade quanto os profissionais de saúde. Médicos que tenham dúvidas sobre o manejo desses pacientes também podem entrar em contato conosco para receber orientação técnica e acompanhamento", finaliza a responsável pelo serviço.
O atendimento pode ser acionado pelos telefones (92) 3305-4702 e 0800 722 6001.








