Manaus é escolhida para pesquisa do MIT sobre calor urbano
Implurb, Ufam e MIT vão monitorar ilhas de calor em Manaus para criar modelo de planejamento urbano contra mudanças climáticas
Por Ponto Amazonas - Ponto Amazonas
Atualizado em 08 de setembro de 2026
A capital amazonense foi escolhida como um dos principais laboratórios de uma pesquisa internacional dedicada ao enfrentamento do calor urbano em cidades tropicais. O estudo mede indicadores de sustentabilidade do ambiente construído em escala predial e urbana, avaliando também seus reflexos na saúde e no bem-estar da população. A Prefeitura de Manaus passa a integrar a iniciativa por meio do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), que vai colaborar com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos, em um trabalho que usará Manaus como referência para modelos de planejamento urbano.
A parceria foi discutida em reunião na sede do Implurb, que reuniu equipes técnicas da prefeitura, do MIT e da Ufam. Entre as definições do encontro estava a escolha de um edifício no Parque Mosaico, no bairro Tarumã, zona Oeste, como um dos pontos de coleta de dados. A partir dali, a pesquisa vai monitorar condições térmicas em diferentes regiões da cidade para entender como fatores urbanos contribuem para a formação das chamadas ilhas de calor, buscando também soluções arquitetônicas e urbanísticas capazes de mitigar os impactos climáticos sobre a população.
Planejamento baseado em evidências
O diretor-presidente do Implurb, Antonio Peixoto, avalia que integrar o estudo reforça o compromisso da Prefeitura de Manaus com um planejamento apoiado em ciência, diante de um dos maiores desafios das próximas décadas para as metrópoles amazônicas: o calor urbano. "Para nós é uma grande honra participar desta pesquisa desenvolvida pela Ufam em parceria com o MIT. O Implurb foi escolhido como um dos pontos de monitoramento das zonas de calor de Manaus, capital que será referência neste estudo internacional. Somos um órgão de planejamento urbano e temos o dever de incentivar pesquisas que contribuam para aperfeiçoar as políticas públicas e melhorar a qualidade de vida da população. Os dados produzidos aqui poderão orientar futuras decisões sobre o desenvolvimento urbano da cidade", afirmou.
Manaus é referência para toda a América Latina
A pesquisa é conduzida pela arquiteta equatoriana Sylvia Jiménez Riofrío, doutoranda do Departamento de Estudos Urbanos e Planejamento do MIT e pesquisadora do Centro Norman B. Leventhal para Urbanismo Avançado (Lcau), com apoio do programa Fulbright. Especialista em conforto térmico, sustentabilidade urbana e saúde ambiental, ela se dedica a estudos sobre a adaptação de metrópoles às mudanças climáticas.
Para Sylvia, Manaus ocupa uma posição estratégica para compreender os desafios das cidades amazônicas: "Para a minha pesquisa é muito importante trabalhar com o Implurb, porque Manaus é a maior cidade amazônica da região, e sua importância não é apenas para o Brasil, mas para toda a América Latina. O que Manaus faz em planejamento urbano impacta não somente as cidades da região, mas todas as cidades amazônicas latino-americanas. Por isso, a parceria com o Implurb é essencial para o desenvolvimento da minha pesquisa", disse.
Segundo a pesquisadora, o objetivo é desenvolver um modelo físico-matemático capaz de avaliar estratégias de redução do calor urbano, com foco especial na análise de coberturas e em soluções arquitetônicas adaptadas ao clima amazônico: "Aqui em Manaus vou estudar sistemas de dupla cobertura, desenvolvendo um modelo calibrado com dados coletados na capital. Com o apoio do Implurb será possível validar esse modelo, que nos ajudará a compreender como melhorar as condições térmicas do ambiente urbano, enfrentar o calor nas cidades e planejar soluções para o futuro", destacou.
Ufam integra estudo com foco em subsidiar legislação urbanística
A Ufam participa do projeto por meio do Grupo de Pesquisa Arquitetura Moderna na Amazônia (Grupo AMA), coordenado pelo arquiteto Marcos Cereto, que vê na parceria entre universidade, poder público e instituições internacionais a chance de converter conhecimento científico em políticas públicas efetivas: "O papel da universidade é produzir conhecimento que possa contribuir diretamente para o planejamento urbano. Essa parceria entre a Ufam, o MIT e o Implurb permitirá coletar informações capazes de subsidiar futuras atualizações da legislação urbanística, especialmente em temas relacionados ao conforto térmico, ao desempenho das edificações e ao consumo de energia nas metrópoles", enfatizou.
Já o vice-presidente do Implurb, arquiteto e urbanista Pedro Paulo Cordeiro, ressalta que os dados coletados devem embasar decisões técnicas ainda inéditas para a gestão municipal, considerando o cenário de mudanças climáticas cada vez mais intensas: segundo ele, o estudo vai permitir identificar como o calor se distribui pelas diferentes regiões da cidade, gerando informações concretas para orientar futuras diretrizes sobre uso do solo, desempenho térmico das edificações e qualidade dos espaços urbanos.
Rede de monitoramento vai além da sede do Implurb
Outros pontos da capital, além da sede do Implurb, também vão compor a rede de monitoramento que alimentará o modelo matemático da pesquisa. Os dados coletados servirão para entender o comportamento térmico de diferentes ambientes urbanos e testar soluções que reduzam temperaturas, melhorem o conforto ambiental e diminuam o consumo de energia nas edificações.
Ao entrar para o estudo, Manaus passa a colaborar diretamente com uma das principais instituições de pesquisa do mundo — uma cooperação que, segundo os envolvidos, pode beneficiar não apenas a capital amazonense, mas também outras cidades da Amazônia e da América Latina que enfrentam desafios semelhantes relacionados ao calor urbano e às mudanças climáticas.







