Sindicato dos professores pede redução de turno por calor extremo no AM
Sinteam cobra medidas do Governo do Amazonas após calor de 37,6°C e falhas na climatização das escolas
Por Ponto Amazonas - Ponto Amazonas
Atualizado em 09 de setembro de 2026
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam) protocolou junto ao Governo do Amazonas um pedido para que o turno vespertino nas escolas da rede estadual seja temporariamente reduzido. A medida é uma resposta às temperaturas extremas que atingem o Estado e à falta de estrutura de climatização em várias unidades de ensino.
O pedido foi enviado ao governador Roberto Cidade e à Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) depois que o sindicato voltou a receber denúncias de professores e demais servidores sobre salas de aula excessivamente quentes, equipamentos de ar-condicionado insuficientes ou com defeito e ambientes sem condições adequadas de permanência.
Os números do calor reforçam o alerta: segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a temperatura em Manaus atingiu 37,6°C no dia 1º de setembro, superando a marca de 37,3°C registrada no dia anterior. É nesse cenário de calor intenso que cresce a preocupação com estudantes e trabalhadores que permanecem por horas nas escolas durante a tarde.
"Reconhecimento precisa sair do papel", diz presidenta do Sinteam
Na avaliação do Sinteam, o momento pede uma resposta emergencial do poder público — até porque o próprio Governo do Amazonas já declarou oficialmente a existência de uma emergência climática e ambiental no Estado.
A presidenta do sindicato, Ana Cristina Rodrigues, afirma que "o próprio Governo reconhece que o calor extremo representa um risco para estudantes e professores e que a Seduc tem responsabilidade na proteção da comunidade escolar. O que estamos cobrando é que esse reconhecimento saia do papel e se transforme em medidas concretas dentro das escolas".
A emergência climática e ambiental no Amazonas foi instituída pelo Decreto nº 54.274, de 1º de junho de 2026. O artigo 11 da norma estabelece que cabe à Seduc desenvolver ações de orientação, conscientização e preparação da comunidade escolar diante dos riscos de eventos climáticos extremos, além de adotar medidas de proteção à saúde, à segurança e à continuidade das atividades educacionais.
Nota técnica aponta riscos à saúde de estudantes e professores
A preocupação do Sinteam é reforçada por um documento produzido pelos próprios órgãos estaduais de saúde: a Nota Técnica Conjunta nº 23/2026/SES-AM/FVS-RCP, divulgada em agosto, que trata dos riscos à saúde ligados ao calor extremo e às ondas de calor no Amazonas.
Segundo a nota, ambientes não climatizados sob altas temperaturas podem provocar estresse térmico em creches, escolas e universidades, afetando crianças, adolescentes, jovens e professores — além de comprometer o ambiente educacional e a saúde de grupos vulneráveis, com destaque para o público infantil. O documento associa ainda o calor extremo a quadros de desidratação, exaustão térmica, tontura, fadiga e dificuldade de concentração, recomendando ajustes nos ambientes de trabalho e estudo para reduzir esses efeitos.
Relatos expõem situação em escolas de Manaus e Manicoré
As denúncias recebidas pelo Sinteam vêm de diferentes unidades da rede estadual. Na Escola Estadual Dídimo Soares, em Manicoré, trabalhadores relatam falhas em vários aparelhos de ar-condicionado e descrevem a sala dos professores como um ambiente extremamente inadequado por causa do calor.
Já na Escola Estadual Maria de Lourdes Rodrigues Arruda, no bairro Alvorada, em Manaus, a denúncia é de que os equipamentos de climatização são antigos e não conseguem mais dar conta das condições atuais. A escola tem ainda uma quadra esportiva descoberta, usada nas aulas de Educação Física, o que expõe estudantes e profissionais ao calor durante as atividades físicas.
Para o sindicato, esses relatos mostram que o problema vai além da simples ausência de ar-condicionado. De acordo com Ana Cristina, há denúncias de escolas em que os aparelhos existem, mas são antigos, apresentam problemas ou são insuficientes para as condições atuais — e que a situação se agrava ainda mais em ambientes como salas de professores e quadras esportivas.
Sindicato já recorreu a órgãos de controle
Antes deste pedido, o Sinteam já havia formalizado denúncias e representações ao Ministério Público do Trabalho (MPT), ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM) e ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) sobre a infraestrutura e a climatização das escolas estaduais.
Enquanto as soluções estruturais não avançam, o sindicato defende a adoção de medidas imediatas. Além da redução temporária do turno da tarde, o Sinteam pede ao Governo do Estado um levantamento emergencial das condições de climatização das escolas — com verificação dos aparelhos, aferição de temperatura e umidade nos ambientes, identificação das unidades mais críticas e adoção de medidas de mitigação. O sindicato solicita também a reorganização ou suspensão temporária de atividades físicas em espaços descobertos nos horários de maior calor.
Medida é apresentada como temporária
O Sinteam classifica a redução do turno vespertino como uma medida preventiva e temporária, que não substitui a obrigação do Estado de resolver de forma definitiva os problemas de infraestrutura e climatização das escolas. O sindicato aguarda agora um posicionamento do Governo do Amazonas e da Seduc sobre o pedido, e defende a criação de critérios objetivos para lidar com situações de calor extremo, levando em conta as condições reais de cada unidade escolar e os alertas emitidos pelos órgãos oficiais.





