ASAS Atem devolve cinco aves silvestres ao Rio Negro
Projeto do Grupo Atem, com apoio do Ibama, solta araras, tucano, papagaio e curiquinha na Zona Sul de Manaus
Por Ponto Amazonas - Ponto Amazonas
Atualizado em 10 de julho de 2026
Cinco exemplares da fauna amazônica retornaram ao ambiente natural na primeira soltura promovida pelo Projeto ASAS Atem, iniciativa desenvolvida em conjunto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O grupo de aves liberto — formado por duas araras, um tucano-de-papo-branco, um papagaio-da-várzea e uma curiquinha-verde — foi devolvido à natureza no dia 2 de julho, em uma área verde nas margens do rio Negro, na Zona Sul de Manaus. Os animais haviam sido resgatados pelo Ibama e permaneciam sob cuidados na Área de Soltura de Animais Silvestres (ASAS), estrutura erguida pelo Grupo Atem e a única com autorização do instituto na capital amazonense.
Como funciona o Projeto ASAS Atem
A iniciativa recebe animais provenientes de apreensões ligadas ao tráfico de fauna silvestre, resgates decorrentes de maus-tratos ou acidentes, além de entregas espontâneas. O objetivo é dar prosseguimento à reabilitação desses animais em um espaço envolto pela vegetação e pela fauna típicas da Amazônia. Ao longo dessa etapa, eles retomam comportamentos naturais orientados pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) — condição indispensável para que sejam reintegrados ao habitat com segurança.
O coordenador do ASAS Atem, Igor Andrade, detalha que o projeto, concebido pelo Grupo Atem sob supervisão técnica do Ibama, levou dois anos para ser estruturado. Desde a definição do terreno até a construção da infraestrutura e a obtenção das licenças, cada fase seguiu as normas técnicas exigidas pelo órgão ambiental.
Estrutura projetada para o retorno ao voo
Erguida em meio à floresta, junto ao Rio Negro, a instalação inclui um recinto de adaptação com cerca de 14 metros de altura, pensado para que as aves recuperem aos poucos sua capacidade de voar, e ainda uma área destinada ao preparo e à guarda de alimentos.
Para Igor Andrade, o trabalho vai além de erguer um recinto:
"Mais do que recuperar o voo, queremos que os animais recuperem seus instintos. Aqui eles voltam a ouvir os sons da floresta, sentir o vento, reconhecer os alimentos naturais, reaprender a se orientar e readquirir os comportamentos necessários para sobreviver em liberdade."
O caminho da recuperação até a soltura
Antes de chegar à ASAS Atem, os animais passam por um rigoroso tratamento junto ao Ibama. Geralmente debilitadas, feridas ou com dificuldades para voar, as aves são submetidas a avaliações clínicas, sanitárias e comportamentais, além de acompanhamento veterinário contínuo, até recuperarem a musculatura necessária ao voo.
Cada animal recebe também uma anilha de identificação individual, ferramenta que permite ao Ibama acompanhar seu histórico e monitorar as espécies ao longo do tempo.
Já na ASAS Atem, a recuperação prossegue em um ambiente que reproduz as condições da floresta. Por aproximadamente dois meses, o contato com humanos é minimizado, e a dieta passa a incluir itens encontrados naturalmente na mata, como castanha, açaí, banana, buriti, pupunha e tucumã. A meta é resgatar hábitos silvestres e preparar os animais para uma vida autônoma após a soltura.
Essa primeira soltura marca o encerramento do ciclo de reabilitação das aves que passaram pela área de adaptação antes de retomar a vida livre. A ação reforça as iniciativas de preservação da fauna amazônica, criando condições para que os animais recuperem capacidades essenciais à sua sobrevivência — como voo, busca por alimento e convívio com o ambiente natural.
Igor Andrade destaca ainda que o projeto reflete o compromisso ambiental do Grupo Atem:
"É um investimento que envolve infraestrutura, manutenção da área, segurança, equipe especializada e diversos outros recursos. É um grande exemplo de como uma empresa pode contribuir efetivamente para a conservação ambiental."
A expectativa da equipe é que outras aves encaminhadas pelo Cetas passem também pela área de adaptação antes de serem devolvidas ao habitat natural, ampliando o alcance das ações de conservação da fauna amazônica e reforçando a rede de proteção à biodiversidade na região.








