Mais de 500 garis reforçam limpeza da orla da Manaus Moderna
Operação aproveita vazante do rio Negro para retirar lixo com máquinas; prefeito pede ajuda da população.
Por Dante Graça - Ponto Amazonas
Atualizado em 28 de setembro de 2026
A Prefeitura de Manaus intensificou os serviços de limpeza na orla da Manaus Moderna, no Centro, com uma operação acompanhada pelo prefeito Renato Junior na manhã desta segunda-feira, 28/9. Segundo a prefeitura, a ação reúne mais de 500 trabalhadores da limpeza pública, aproximadamente 20 caçambas, duas máquinas de grande porte e três balsas destinadas à remoção dos resíduos acumulados no local.
Os números do ano dão a dimensão do problema: somente em 2026, a orla, os igarapés e as comunidades rurais já somaram mais de 2,5 mil toneladas de resíduos recolhidos. Considerando o período desde 2021, a orla respondeu pela retirada de 25,8 mil toneladas.
Durante a visita, o prefeito explicou que as equipes já haviam concluído a limpeza do lado da Ponta Branca e agora atuam no trecho mais próximo à feira. Ele atribuiu o acúmulo ao descarte irregular feito pela população. “Eu sonho com o dia em que não vai ter mais esse lixo, que não é jogado pelo gari, mas é recolhido por ele”, declarou Renato Junior, acrescentando que a conscientização, a limpeza dos igarapés e as ecobarreiras ajudaram a reduzir bastante o volume, mas que o município precisa da ajuda da população.
Vazante abre espaço para máquinas
A baixa do rio Negro é o que viabiliza o reforço. Áreas que ficam cobertas pela água durante a cheia tornam-se acessíveis, em parte do ano, às equipes e ao maquinário pesado, o que permite ampliar os serviços de raspagem e remoção de resíduos.
De acordo com a prefeitura, a operação especial de estiagem teve início em 12 de setembro, no São Raimundo. Desde 15 de setembro, os trabalhos avançam pela região da Manaus Moderna e do mirante Lúcia Almeida, no sentido da feira da Panair.
Os dados de nível do rio ajudam a explicar o alcance maior da operação. Na sexta-feira, 25/9, o rio Negro marcava a cota de 19,78 metros, depois de recuar 22 centímetros em 24 horas. No acumulado de setembro, a descida chegou a 4,31 metros.
Limpeza é diária, com ou sem seca
A prefeitura ressalta que o serviço não se limita à vazante. A orla recebe limpeza todos os dias, e o período seco apenas amplia o raio de atuação das equipes em pontos que, na cheia, só podem ser alcançados com apoio de balsas.
O prefeito reforçou essa rotina ao comentar o volume retirado mensalmente. Segundo ele, com o terreno seco é possível entrar com máquinas, enquanto no restante do ano o trabalho depende das balsas, e mesmo assim são toneladas de lixo recolhidas todos os meses. “Isso uma hora tem que acabar. Não é justo os garis estarem todos os dias limpando o mesmo lugar por causa do descarte irregular”, afirmou. Renato Junior disse ainda que a prefeitura faz sua parte com limpeza diária, ações de conscientização e a remoção de balsas e balsas de lixo dos rios e igarapés.
Ecobarreiras e coleta domiciliar
Além da remoção, o município aposta em medidas preventivas. Manaus tem 14 ecobarreiras instaladas para conter os resíduos lançados nos igarapés antes que cheguem aos rios. Apenas entre janeiro e março deste ano, essas estruturas retiveram cerca de 1.050 toneladas de materiais.
Já a coleta domiciliar cobre 98,4% dos domicílios da capital, distribuída em 140 rotas, com frequência que chega a seis passagens por semana.
Porta de entrada da capital
A limpeza da área repercute diretamente no dia a dia de feirantes, trabalhadores, moradores e passageiros que circulam pela orla. Conforme destacou o prefeito, a Manaus Moderna e a feira da Banana figuram entre as principais portas de entrada de pessoas e mercadorias vindas do interior, com papel relevante no abastecimento da capital.
“Quando a gente fala da Manaus Moderna e da feira da Banana, não estamos falando apenas de um pedaço da margem. Estamos falando de quem trabalha aqui, de quem chega do interior e de uma região que ajuda a abastecer Manaus. Limpar essa orla é cuidar da cidade, dar dignidade para quem trabalha e respeito para quem chega”, concluiu Renato Junior.







