Governo Federal reforça combate a incêndios e estiagem no AM
Base da FN-SUS em Manaus, R$ 3,5 milhões a quatro cidades e 13 aeronaves federais reforçam as ações no estado
Por Ponto Amazonas - Ponto Amazonas
Atualizado em 21 de outubro de 2026
O Governo Federal reforçou as ações de combate aos incêndios florestais e ao período de estiagem no Amazonas. Entre as medidas estão o início das atividades da base regional da Força Nacional do SUS (FN-SUS) em Manaus (AM), o repasse de mais R$ 3,5 milhões a quatro cidades afetadas pelos desastres e o envio de um helicóptero para transportar equipes responsáveis por diligências e perícias em campo. As informações constam em release da Secretaria de Comunicação Social divulgado nesta quarta-feira (21).
Base da Força Nacional do SUS começa a funcionar em Manaus
De acordo com o release, a unidade de Manaus passou a atuar no apoio à organização da rede assistencial e da gestão em saúde, tanto na preparação quanto na resposta a desastres e eventos climáticos extremos, inclusive os associados ao fenômeno El Niño. Trata-se da quarta base regional em funcionamento no país.
Num primeiro momento, a equipe concentra o trabalho nos efeitos das queimadas florestais, que têm comprometido a qualidade do ar em diferentes regiões do estado. Para apoiar a resposta, foi criado um painel interno que monitora a disponibilidade de insumos médicos nos municípios. A ferramenta permite definir as rotas e os meios de transporte mais adequados, entre eles embarcações e aeronaves, e estimar o tempo de entrega, sobretudo nos períodos de seca e estiagem.
O painel foi desenvolvido em parceria pela FN-SUS, pela Superintendência do Ministério da Saúde no Amazonas e pelas secretarias estadual e municipais de Saúde. Até o momento, 43 municípios preencheram as informações da plataforma.
A base reúne profissionais com experiência no SUS e em áreas remotas da Amazônia, nas áreas de gestão, saúde, logística, comunicação de risco e engajamento comunitário. Sua atuação é integrada à Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), aos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) e aos demais órgãos gestores do SUS. O trabalho é orientado pelo Diagnóstico Situacional Vivo, que reúne dados de vigilância e assistência, além de informações e observações em campo, para avaliar a pressão sobre a rede e dimensionar os recursos necessários em situações de emergência.
Aeronaves já lançaram mais de 1 milhão de litros de água
Segundo o Governo Federal, as aeronaves mobilizadas para o combate aos incêndios florestais no Amazonas já lançaram 1 milhão de litros de água sobre as áreas atingidas pelo fogo. Desde 10 de outubro, as operações aéreas somam 390,5 horas de voo e 369 lançamentos, totalizando 1.118.600 litros utilizados no enfrentamento às chamas.
Desde o início da temporada, as ações federais já resultaram na extinção de 337 ocorrências. Hoje, 13 aeronaves federais estão à disposição das operações: seis aviões Air Tractor, usados para lançamentos de água; cinco helicópteros, que apoiam o transporte de brigadistas e equipamentos, além do combate aéreo; e dois aviões KC-390, da Força Aérea Brasileira (FAB), também empregados no lançamento de água sobre as áreas atingidas.
Marinha e Exército se somam à FAB
As Forças Armadas ampliaram a participação no combate aos incêndios florestais no Amazonas. A Marinha do Brasil e o Exército Brasileiro passaram a atuar ao lado da FAB, e já foram realizadas 30 missões até o momento
No total, a FAB emprega quatro aeronaves, duas delas do modelo KC-390, usadas no combate aéreo. A Marinha atua com três helicópteros e dois navios em missões de transporte e apoio logístico, enquanto o Exército emprega um helicóptero voltado ao transporte logístico. Os meios aéreos das Forças Armadas operam nas localidades mais críticas do estado.
Ibama aplica 17 multas em Autazes e Careiro da Várzea
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também realiza operações de fiscalização para verificar o cumprimento de medidas de prevenção e enfrentamento do fogo em propriedades rurais. Foram feitas 19 ações nos municípios de Autazes e Careiro da Várzea, onde a situação dos incêndios florestais é crítica.
As operações resultaram em 17 multas, que totalizam aproximadamente R$ 2 milhões, e no embargo de 12 áreas, que somam cerca de 252 hectares. A fiscalização verifica o cumprimento das medidas previstas em dois editais de notificação direcionados a 725 propriedades rurais no estado. Além de checar a adoção das medidas, os agentes ambientais buscam coibir práticas ilegais que agravam os impactos dos incêndios sobre a vegetação nativa.
Defesa Civil Nacional repassa recursos a quatro cidades
Em outra frente, a Defesa Civil Nacional repassou mais R$ 3,5 milhões a quatro cidades afetadas pelos desastres. Além desse valor, foram encaminhados R$ 14,3 milhões. Os montantes fazem parte dos R$ 21,1 milhões aprovados até o momento em nove planos de trabalho. Ao todo, 46 municípios têm o reconhecimento federal de situação de emergência.
Conforme o release, as cidades com reconhecimento federal de situação de emergência ou de estado de calamidade pública podem pedir ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MDIR) recursos para ações de Defesa Civil. Os municípios em situação de emergência devem fazer a solicitação pelo Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD). Com base nas informações enviadas nos planos de trabalho, a equipe técnica da Defesa Civil Nacional avalia as metas e os valores pedidos. Após a aprovação, é publicada portaria no DOU com o valor a ser liberado.
Helicóptero reforça diligências e perícias
Para reforçar a atuação federal no estado, foi enviado um helicóptero Bell 412 para transportar as equipes responsáveis por diligências e perícias em campo. Uma aeronave da família Esquilo também passará a integrar a operação. Com as duas, as equipes terão mais condições de chegar aos locais onde serão realizadas as diligências e perícias relacionadas aos incêndios.
A força-tarefa reúne a Polícia Federal (PF), a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o Ibama e órgãos estaduais. As instituições atuam de forma integrada para apurar possíveis crimes relacionados aos incêndios, com diligências em campo, perícias e análise de imagens de satélite.
Segundo o Governo Federal, o objetivo é esclarecer as circunstâncias dos incêndios e identificar possíveis responsáveis. As investigações ocorrem paralelamente às ações de combate às chamas e de atendimento à população.






