Defensoria aponta calor e falhas estruturais em escolas de Manaus
Órgão vistoriou escolas estaduais em Manaus: uma tem ar-condicionado quebrado; na outra, alunos estão sem aula há quase 30 dias.
Por Ponto Amazonas - Ponto Amazonas
Atualizado em 25 de setembro de 2026
Aparelhos de ar-condicionado quebrados, quadra sem cobertura e alunos sem aulas por causa de uma reforma motivada por falhas na rede elétrica estão entre os problemas encontrados pela Defensoria Pública do Amazonas (DPAM) em duas escolas estaduais de Manaus. A vistoria foi feita nesta sexta-feira (25/9) pelo Grupo de Trabalho Intersetorial de Defesa da Educação e Cidadania (Gidec) nas escolas Maria de Lourdes Rodrigues Arruda, na Zona Centro-Oeste, e Hermenegildo de Campos, na Zona Sul.
Segundo informou a Defensoria, o mapeamento serve para definir que providências poderão ser adotadas mais adiante para resolver os problemas. Essa é a avaliação do defensor público Arlindo Gonçalves, integrante do Gidec.
"O que mais escutamos é a dificuldade dos alunos de estudar no calor e que muitos problemas estruturais, como pintura de quadra e reparos urgentes, estão sendo sanados pelos próprios funcionários", afirmou.
De acordo com ele, a apuração faz parte do trabalho do Gidec, criado para entender o que está ocorrendo nos sistemas municipal e estadual de educação, e ainda está em fase preliminar e de mapeamento.
Tempo integral sem estrutura
Com 480 estudantes matriculados, a Maria de Lourdes Rodrigues Arruda foi a primeira escola visitada. Lá, professores relataram à Defensoria dificuldades ligadas à mudança da unidade para o modelo de tempo integral. Os docentes apontaram a falta de um local para os alunos descansarem, a necessidade de reforma nos banheiros e vestiários e as condições da quadra, que não tem cobertura e teve a pintura paga pelos próprios professores.
No interior do prédio, há aparelhos de ar-condicionado quebrados. Isso torna mais difícil a permanência de alunos e professores nas salas, num período de altas temperaturas na capital. A inspeção constatou ainda que a escola tem mais de 15 estudantes neurodivergentes, acompanhados em sala por apenas duas professoras auxiliares.
Mãe de uma aluna do 7º ano, Jaiane Mourão, 35, contou que a filha pede com frequência para não ir à aula por causa do calor. Segundo ela, a situação piorou com as temperaturas elevadas registradas em Manaus nos últimos dias. Ela diz que os pais percebem disposição da direção e dos professores para resolver os problemas, mas que a solução não depende deles.
"Eu mesma já protocolei três reclamações na Secretaria de Educação e Desporto, relatando os problemas daqui, e nunca tive resposta. A educação e o futuro dos nossos filhos estão em jogo, e é por isso que precisamos questionar. Essa fiscalização ajuda bastante, porque dependemos disso agora", afirmou.
Alunos há quase 30 dias sem aula na Zona Sul
Na Zona Sul, a situação da Escola Estadual Hermenegildo de Campos também preocupa. Os estudantes estão afastados das atividades há quase 30 dias e sem acesso ao conteúdo das aulas por causa de uma reforma geral no prédio. A obra foi motivada por problemas na rede elétrica, que começaram no início de setembro e comprometeram o uso dos aparelhos de ar-condicionado.
A escola informou aos pais que a alternativa prevista é transferir os alunos, em breve, para a Escola Estadual Professor Antenor Sarmento, que também fica na Zona Sul.
"No mês de agosto, devido à condição climática da capital, a rede de energia elétrica não suportou o uso dos aparelhos de ar-condicionado", explicou Arlindo Gonçalves. O defensor disse que, em conversa com a direção, a equipe foi informada de que as aulas foram paralisadas e de que há previsão de mudança temporária para outro local. Ele acrescentou que a unidade já está incluída nos relatórios elaborados pela Defensoria por meio do Gidec.
Grupo nasceu após resultado do Ideb
O Gidec foi implantado em agosto de 2026 com base no levantamento mais recente do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Nessa avaliação, que considera o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática e as taxas de aprovação, o Amazonas obteve 3,8 pontos no ensino médio. Foi o pior desempenho do país nessa etapa.
Desde então, a Defensoria busca verificar se o Estado aplica corretamente os recursos mínimos obrigatórios em educação. O órgão também acompanha para onde esse dinheiro vai e como ele é empregado. Entre as frentes de atuação estão o acompanhamento do piso salarial e da falta de professores, o monitoramento da merenda escolar e a cobrança pela retomada de obras paralisadas de creches e escolas.





